23/07/2010 12h00 - Atualizado em 24/01/2019 12h31

Cultivo agroecológico de alimentos contribui para diminuição do aquecimento global

O manejo agroecológico na agricultura, além de contribuir para uma alimentação saudável, também colabora para atenuar o aquecimento global. Isso acontece porque a matéria orgânica utilizada na adubação da plantação tem a capacidade de ‘sequestrar’ o gás carbônico da atmosfera, já que o composto químico é o principal responsável pelo aumento da temperatura do planeta. Dessa forma, a negociação de créditos de carbono pode representar uma alternativa de renda para produtores rurais.

“Se toda a área agrícola do Brasil passasse a utilizar práticas recicladoras, substituindo adubos químicos pelos naturais, a emissão de gás carbônico no País iria diminuir em 500%. O Brasil resolveria seu problema com o aquecimento global e ainda geraria compensação de emissão para outros países”, afirma o pesquisador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Incaper), Jacimar Luis de Souza.

Para o pesquisador, a ratificação do Protocolo de Quioto, no qual os países desenvolvidos assumiram metas de redução das emissões de gases causadores de efeito estufa, cria a expectativa de que, em um futuro próximo, produtores rurais que adotem práticas agroecológicas possam obter compensações pela prestação de serviços ambientais. “Propriedades rurais com áreas médias cultivadas em torno de 10 hectares têm a possibilidade de obter um rendimento de cerca de R$ 2 mil por ano através dos créditos de carbono”, afirma Jacimar.

Aplicação da técnica da compostagem.

O tema será discutido por ele nesta sexta-feira (23), durante o 50° Congresso Brasileiro de Olericultura, realizado pelo Incaper no Sesc de Guarapari. A mesa redonda “Mudanças climáticas na horticultura” marca o encerramento do Congresso, que teve início na última segunda-feira (19).

Além de Jacimar, também participam do debate os especialistas João Luis Carvalho, da Universidade de São Paulo (USP), e Ítalo Moraes Guedes, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Hortaliças.

“O solo é considerado o principal reservatório de carbono. Sendo assim, o manejo ecológico da terra na produção agrícola pode ser um fator relevante para o controle das emissões de gases do efeito estufa”, afirma Jacimar. Segundo ele, isso acontece porque o resíduo orgânico é muito rico em carbono. Se o material não é reciclado, ele se decompõe, promovendo a evaporação do gás carbônico, o que provoca o efeito estufa. Portanto, se a matéria orgânica é revertida na forma de adubos, o carbono fica retido na terra.

As práticas adotadas no cultivo agroecológico de hortaliças aumentam a quantidade de matéria orgânica e retém o gás carbônico no solo. Além disso, todo o plantio contribui para a diminuição do CO2 atmosférico, já as plantas ‘sequestram’ o carbono presente no ar para realizar a fotossíntese.

Entre os exemplos de práticas agroecológicas que contribuem para este fim, está a produção de biomassa, a adubação verde e a compostagem.

A adubação verde consiste no uso de plantas melhoradoras de solo, plantadas em consórcio ou em rotação com as culturas. Exemplos: mucuna preta, feijão de porco, crotalária, tremoço branco e etc..

A compostagem é um adubo orgânico formado por meio da reciclagem de sobra de resíduos agrícolas. É composto por camadas de capim e de esterco intercaladas, que após a fermentação é usado na plantação. Um hectare de capineira, que consiste no plantio de capim para produzir palha para adubo, absorve 120 toneladas de CO2 equivalente.

O congresso 50° Congresso Brasileiro de Olericultura reuniu cerca de mil pesquisadores, estudantes, técnicos e produtores rurais, com o objetivo de discutir as práticas sustentáveis do cultivo de hortaliças e os avanços tecnológicos dos últimos 50 anos no setor. O CBO é promovido anualmente pela Associação Brasileira de Horticultura (ABH), e, este ano é realizado pelo Incaper.



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